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sábado, 14 de março de 2015

ESCOLA MUNICIPAL SOLANGE COELHO
PROJETO “RESPEITAR E CONVIVER COM A DIVERSIDADE: Construindo a Igualdade de Gênero, Etnia e Sexualidade”. 
  “A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”
(Mandela) 

1.       INTRODUÇÃO 
As lutas por igualdade e respeito às diferenças têm sido constantes em vários setores da sociedade, entre eles, e talvez o mais importante, encontra-se o ambiente escolar, que se apresenta como o lugar da mudança, das falas diversas, do universo em transformação e de um devir que nos espera cotidianamente. As discriminações de gênero, étnico-racial e por orientação sexual, são dilemas que, para serem resolvidos, precisam ser desnaturalizados e esse processo de desnaturalização passa, necessariamente, pela informação séria que instrumentaliza professores/as e outros setores das unidades de ensino no desenvolvimento de projetos voltados ao respeito da pluralidade (característica fundamental da escola) e enfrentamento a todo tipo de preconceito que se apropria das falas e atitudes das pessoas no espaço escolar. Como afirma Mary Garcia Castro, pesquisadora da UNESCO: 
“Há que se estimular os professores e professoras para estarem alertas, para o exercício de uma educação por cidadanias e diversidade em cada contato, na sala de aula ou fora dela, em uma brigada vigilante anti-racista, anti-sexista, anti-homofóbica e de respeito aos direitos das crianças e jovens, tanto em ser, como em vir a ser; não permitindo a reprodução de piadas que estigmatizam, tratamento pejorativo (...)” (CASTRO, 2005)”. 
2.       JUSTIFICATIVA 
A Escola Municipal Solange Coelho está situada no bairro de Itinga, bairro esse que contempla uma diversidade étnica, religiosa e cultural. A Escola acolhe alunos da Educação básica, séries finais do Ensino Fundamental. No corrente ano, tem efetivada a matricula de alunos portadores de necessidades especiais.   
Essa questão territorial torna a realidade da escola ainda mais diversa.  Se olharmos para esse breve histórico percebe-se que vários fatores apontam sua realidade para diversidade e pluralidade, potencializando também a necessidade de se desenvolver projetos voltados a inclusão e outras temáticas. Nesse sentindo problemas relacionados às questões de binarismo de gênero, seja com relação às mulheres e aos homens no que diz respeito à violência ou aos seus direitos, com relação ao universo LGBTTT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) por meio da homofobia, sempre foram comuns no cotidiano escolar. Assim, se fez necessária a criação de um projeto que atenda à demanda de grupos que historicamente carecem de visibilidade, respeito, equidade e proteção. 
3.       OBJETIVOS 
A partir de ações educativas discutidas e elaboradas coletivamente durante a jornada pedagógica/2015, o Projeto Diversidade na Escola: Construindo a Igualdade de Gênero, Etnia e Sexualidade se organiza a fim de: 
- Promover ambiente de respeito na escola, para que a diferença não seja tratada na óptica da exclusão, do desrespeito e da violência.
- Desenvolver, a partir dos conteúdos ministrados a respeito de GÊNERO, SEXUALIDADE e ÉTINIA, atividades que primem pela equidade, respeito e valorização dos seres humanos.
- Desenvolver atividades a respeito das leis 10.639/2003 e 11.645/2008.
- Desenvolver atividades a respeito da Lei Maria da Penha (Lei Nº 11.340/2006), atendendo a Recomendação Nº 2/2013 – CEDF2. 
- Promover estudos a respeito de bullying, como forma de orientar os/as alunos/as diante dessas práticas de violência e, ao mesmo tempo, contribuir para que ele/ela possa diferenciar o bullying do sexismo, da misoginia, do racismo e da homofobia.
- Envolver alunos/as, funcionários/as e famílias/comunidade em discussões/eventos a respeito da diversidade e seus dilemas, buscando sempre a transformação da escola em um lugar da liberdade, do respeito e da boa convivência, sem que se interfira nas diferenças, porém com foco nas desigualdades.
- Lutar contra o preconceito institucionalizado que se apodera da rede de ensino da qual fazemos parte, criando diálogo direto com a SEMED, Juizado da Infância e Adolescência, ECA  e com outras entidades e escolas compartilhando experiências, contribuindo com a criação de projetos, seminários, palestras com o intuito de fortalecer o discurso e a práxis voltado à diversidade. 

4.       METODOLOGIA 
O Projeto “Diversidade na Escola” será contemplado na Metodologia Crítico Social dos Conteúdos e deverá estar entre as ações que fazem parte da construção do Projeto Político Pedagógico da Escola. Traz como aspecto relevante a inclusão por se tratar de uma escola que atende alunos portadores de necessidades especiais e que tem em seu perfil a educação voltada ao convívio harmônico e respeito às diferenças, levando acessibilidade aos que necessitam dela. Dentro dessa perspectiva de respeito ao outro, entende-se que visibilidade, tratamento digno e medidas diferenciadas aos diferentes contribuí com o alcance da equidade, acesso e respeito. É importante ressaltar que a implantação do projeto “Diversidade na Escola” deverá ser feita de forma gradativa com os/as alunos/as dos três turnos (matutino, vespertino e noturno), incluindo os/as alunos/as com necessidades especiais e, sua execução acontecerá por meio de conteúdos específicos, aulas expositivas, dinâmicas, músicas e vídeos voltados para as questões de GÊNERO, SEXUALIDADE e ETNIA. O projeto foi idealizado a partir de demandas apresentadas pelo coletivo no que diz respeito à diversidade e sua importância dentro do ambiente escolar.
A sua construção e execução pode ser vista como resultado de vários questionamentos que se apresentam de forma pertinente acerca da pluralidade vivenciada na escola e que por esse motivo necessita de olhares mais plurais.
       4.1 EMBASAMENTO TEÓRICO  
 Levar as questões relacionadas a gênero, sexualidade e etnia para dentro de sala de aula exige o conhecimento de algumas teorias e, ao mesmo, a compreensão de como tais questões se articulam no cotidiano da escola. É necessário que a escola realize diversas palestras com o corpo discente e demais funcionários para melhor qualificar a prática pedagógica e ações inter-relacionais.
Aprofundar as discussões sobre questões de “Gênero e Diversidade na Escola”, será um grande passo para que os profissionais da educação se sintam em condições para desenvolver em sala de aula projetos voltados a diversidade mais precisamente Gênero, Sexualidade e Etnia. A dinâmica da Jornada Interna e seus palestrantes, entre eles, a profa. Rosângela Accioly (Discussões sobre Gênero, raça e sexualidade),  possibilitaram que outros caminhos possam ser trilhados em relação à proposta pedagógica que a escola assume, a reflexão sobre a prática pedagógica e o avaliar, as questões sobre sexualidade, etnia e gênero, as inter-relações pessoais e respeito ao diferente foram questões primordiais para novos olhares no seio da escola enquanto escola transformadora.
Alguns teóricos contribuem muito para que isso possa ser possível: Dentre os quais estão Michel Foucault, que, os seus estudos, propiciam uma melhor percepção da sexualidade e das relações de poder na esfera social. As abordagens sobre o universo dos transexuais, travestis e transgêneros (tema mais polêmico e mais explorado pelos/as alunos/as) podemos encontrar em Berenice Bento respostas didáticas, claras e bem elaboradas. Ainda sobre as questões voltadas ao universo da sexualidade e gênero, encontramos na Teoria Queer, a partir das falas de Judith Butler e Guacira Lopes Louro, fornecendo argumentos fundamentais para a desconstrução de modelos que colocam pessoas pertencentes ao universo LGBTTT em posição de completa desvantagem e fragilidade em uma sociedade baseada na heteronormatividade e no binarismo de gênero.  Com relação ao conteúdo voltado aos direitos das mulheres buscar-se-á, a partir da cartilha da Lei Maria da Penha, juntamente com filmes, músicas, reportagens e dados estatísticos, compreender como as mulheres são vitimadas todos os dias dentro das relações de gênero. As aulas expositivas e com espaços de fala e produção proporcionarão aos/as alunos/as a possibilidade de trazer elementos de suas vivências. Todos os textos, filmes e recursos que serão trabalhados, deverão ir além de uma exposição de conteúdos, devendo ser devidamente articulados com as demandas das realidades diversas da escola. É fundamental que os/as alunos/as, se reconheçam e se sintam contemplados dentro das propostas dos projetos e que esses tenham um POTENCIAL DE IMPACTO, ou mesmo, de IMPACTAR.
 A implantação do Projeto Diversidade na Escola: Construindo a Igualdade de Gênero, Etnia e Sexualidade tem como principal direção possibilitar uma reflexão e ações ao universo escolar e refletir diretamente na sociedade visando minimizar a homofobia, o sexismo e o racismo. Levando para o máximo de lugares possíveis a mensagem de que a partir da escola podemos trilhar caminhos mais justos, mais iguais e que respeitem os direitos das pessoas sem que suas diferenças representem um empecilho para que possam se realizar enquanto cidadãos e cidadãs na sociedade. Por esses motivos, necessita arduamente ser construído com bases em uma educação que respeite os direitos humanos e com imenso compromisso/competência dos atores sociais. A intenção de todo esse trabalho é fazer com que as pessoas, dentro do ambiente escolar, entendam que é necessário e possível conviver com as diferenças, levando a todos/as visibilidade, amparo, afetividade, respeito, equidade, dignidade e informação.  
5.       ATIVIDADES TEMÁTICAS E CONTEÚDOS PROPOSITIVOS:
A PRESENTE  PROPOSTA SERÁ DIVIDIDA EM DOIS SUB-PROJETOS TEMATIZADOS EM:
1º SEMESTRE:
- A ESCOLA EM AÇÃO: Discutindo gênero, inclusão e meio ambiente.
TEMÁTICAS:
·         MEIO AMBIENTE;
·         POVOS INDÍGENAS;
·         INCLUSÃO: PESSOAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS E A SEXUALIDADE;
·         A MULHER NA CONTEMPORANEIDADE.
(FALTA COLOCAR OS OBJETIVOS)
2º SEMESTRE:
- A ESCOLA EM AÇÃO: Aprofundando a discussão sobre gênero, identidade e etnia.
TEMÁTICAS:
·         (FALTOU DISCUTIR)
6.       RESULTADOS IMEDIATOS ESPERADOS
Para que haja um resultado positivo imediato, os trabalhadores em educação deverão:
- Ter compromisso com as ações implementadas;
- Entender a relevância dos temas trabalhados nos projetos;
- Discutir nos ACS as dificuldades encontradas e vivenciadas em relação às ações implementadas;
- Socializar os resultados positivos;
- As reuniões de pais/mães/responsáveis que ocorrem bimestralmente se tornem um lugar de importância para que sejam feitas explicações do “Diversidade na Escola”, contribuindo assim com a aceitação por parte dos familiares dos/as alunos/as, ratificando a importância da participação da família na vida escolar dos estudantes,
- Terá que haver um acompanhamento direto na retroalimentação e solução dos problemas encontrados. 
         6.1  PERSPECTIVAS DE CONTINUIDADE E SUSTENTABILIDADE DO TRABALHO 
 O “Diversidade na Escola” terá que fazer parte do Projeto Político Pedagógico, portanto terá sua permanência garantida entre os projetos que continuarão estruturando o processo pedagógico Escolar. A forma como as temáticas serão organizadas e serão trabalhadas possibilitarão um avaliar constante e retroalimentação para que nos próximos anos letivos tenhamos a disposição necessária para tratar de tais assuntos com mais propriedade e, ao mesmo tempo, a continuidade de tais projetos e ações necessárias para melhor desenvolvê-los.
  
7.       REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA 
BENTO, Berenice. O que é transexualidade. São Paulo: Brasiliense, 2012.
BRASILIA, PROJETO “DIVERSIDADE NA ESCOLA”, Centro de Ensino Fundamental 01 de Planaltina, Brasília,  setembro de 2013.
BUTLER, Judith. Problemas de Gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
CASTRO, Mary Garcia, Gênero e Raça: desafios à escola. In: SANTANA, M.O. (Org) Lei 10.639/03 – educação das relações étnico-raciais e para o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana na educação fundamental. Pasta de Texto da Professora e do Professor. Salvador: Prefeitura Municipal de Salvador, 2005.
FOUCAULT, Michel. História da sexualidade 1 – A vontade de saber. Rio de Janeiro: Graal, 2012.
FOUCAULT, Michel. História da sexualidade 2 – O uso dos prazeres. Rio de Janeiro: Graal, 2012.
FOUCAULT, Michel. História da sexualidade 3 – O cuidado de si. Rio de Janeiro: Graal, 2011.
GÊNERO E DIVERSIDADE NA ESCOLA: formação de professoras/es em Gênero, Orientação Sexual e Relações Étnico-Raciais. Livro de conteúdo. – Rio de Janeiro: CEPESC; Brasília: SPM, 2009. Lei nº 11.340/2006 – Lei Maria da Penha.
LIBÂNEO, José Carlos. TENDÊNCIA PROGRESSISTA CRÍTICO SOCIAL DOS CONTEÚDOS http://pt.slideshare.net/rubisantos89/faculdade-evanglica-de-salvador-24519600/ ACESSADO EM 10/02/2015.
LOURO, Guacira Lopes. Gênero, sexualidade e educação: uma perspectiva pós-estruturalista. 8.ed. Petrópolis, RJ: Vozes,1997.


Lauro de Freitas, 10 de fevereiro de 2015

Edson Paiva